Posicionamento do Pr. Piragine

Isaías 1:4-9 Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo. A vossa terra está assolada, as vossas cidades estão abrasadas pelo fogo; a vossa terra os estranhos a devoram em vossa presença; e está como devastada, numa subversão de estranhos. E a filha de Sião é deixada como a cabana na vinha, como a choupana no pepinal, como uma cidade sitiada. Se o SENHOR dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra.

Lucas 13:27 E ele vos responderá: Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniqüidade.

Impressionante vídeo que apresenta uma grave realidade que está ocorrendo no Brasil e se o povo evangélico não fizer algo, poderemos ter um grande problema aqui no Brasil.

A palavra iniqüidade é apresentada 278 vezes em toda a Bíblia, sempre com o significado de pecado e acompanhada de julgamento de Deus contra quem pratica a iniqüidade.

O Pr. Paschoal Piragine – Pastor Presidente da Primeira Igreja Batista de Curitiba-PR fez este pronunciamento no último domingo (29/09/2010) durante o culto desta importante igreja da capital do Paraná.

Depois ainda existem irmãos que estão declarando que o Brasil vive um avivamento nos dias de hoje, que o Brasil está mais “evangelizado”, que Deus é o Senhor do Brasil… Só se formos falar isto em tom de profecia para daqui a muitos anos, porque a realidade de hoje é bem diferente disto…

Números 15:31 Pois desprezou a palavra do SENHOR, e anulou o seu mandamento; totalmente será extirpada aquela pessoa, a sua iniqüidade será sobre ela.
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 0 (from 2 votes)

Julgar ou não julgar

Por: Wilson César Parpinelli
Publicado originalmente em: Teologia Inteligente

Talvez este seja um dos temas mais polêmicos em questão de doutrina. Tenho certeza que, assim como eu, você leitor já pode presenciar ou até mesmo participar de um debate acalorado acerca do assunto.

E como todo bom debate, além das defesas apaixonadas dos seus pontos de vistas, muitos, de ambos os lados, lançam mão de argumentos bíblicos para justificar seus posicionamentos.

Mas você já parou para refletir se nós cristão podemos ou não julgar? De que lado você se encontra? Como você justifica seu posicionamento? Não vou ficar em cima do muro e, desde já, adiantarei minha posição: acredito que o cristão não só pode como deve julgar, mas guardados certos parâmetros. Explico.

Primeiramente, quero trazer o conceito de julgar que adotaremos neste artigo: “ato de raciocinar sobre um determinado fato, atribuindo-lhe um valor de bem/bom ou mal/ruim, e decidir, entre isto ou aquilo, quero ou não quero, ou faço ou não faço, usando a capacidade inerente a todo ser humano mentalmente capaz”.

Como advogado, gosto de começar minhas “defesas” pela análise crítica dos argumentos da “parte contrária”, e, por favor, não me entendam mal, é apenas e tão somente uma analogia. Basicamente, quem defende este ponto de vista utiliza-se, principalmente, de duas passagens bíblicas: Mateus 7:1 e I Coríntios 11:31.

Antes de analisarmos estas passagens convém ressaltar que o processo de interpretação de textos bíblicos deve seguir algumas premissas. Primeiro, a Bíblia é a Palavra de Deus, isto significa que não encontraremos nenhuma contradição na bíblia. Segundo, a Escritura interpreta a Escritura, e isto se faz à luz de todas as passagens que tratam de um assunto e não de uma passagem isolada. Terceiro, para entender corretamente uma passagem bíblica deve-se considerá-la em seu contexto. Dito isto, avancemos.

O texto de Mateus 7:1-2 diz: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós”. Muitos crente, temerosos do julgamento divino, acham que não podem julgar, pois se assim procederem, não serão julgados. Essa é uma exegese por demais simplista!

Ninguém há de escapar do juízo (julgamento) de Deus (vide Rm 14:10; I Pe 4:17 e Ap 20:13), julgando ou deixando de julgar. Observando o restante do texto, especialmente os versículos 3 a 5, constata-se que Jesus estava, claramente, censurando a hipocrisia daqueles que julgavam ao próximo, estando, muitas vezes, a cometer o mesmo pecado. Jesus não proibiu todos os tipos de julgamento, como veremos adiante.

A outra passagem é I Co 11:31. Analisando o contexto em que Paulo profere estas palavras à Igreja de Corinto percebe-se que se trata de uma repreensão, por parte do Apostolo, por causa das dissensões e da ma celebração da Ceia do Senhor. Repreensão dirigida àquela Igreja, quanto a um tema específico.

Paulo ressalta que se eles houvessem julgado a si mesmos, isto é, pesando e analisando suas atitudes, não necessitariam ser repreendidos (julgados) por ele, pois teriam percebido seus erros e, eles mesmos, teriam se corrigido. Isto acaba não sendo na prática um argumento contrário e, sim, favorável à prática de julgar!

Existem outras passagens, mas não quero que alongar demais nesse ponto. O importante aqui é o fato de que passagens que, aparentemente, proíbem todo tipo de julgamento, quando analisadas criticamente dentro do seu contexto, desautorizam tal entendimento.

Mas como disse anteriormente, cremos que sim, podemos julgar. Mas qual o respaldo para isto? A escrituras, naturalmente. Assim está escrito em I Co 6:2 “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas?

Paulo foi um grande exemplo daquees que não se calavam diante daquilo que julgava ser pedra de tropeço a realização da obra do Senhor. Repreendeu a Pedro (Gl. 2:11-14), mandou Tito “tapar a boca” dos falsos mestres (Tt 1:10-11), chamos falsos obreiros de cães (Fp 3:2) e, até citava nomes quando achava que era necessário (II Tm 217 e 4:10).

Jesus ao ensinar a discernir sobre a conduta dos falsos mestres (Mt. 7:15-19) ou a não se deixar iludir por sinais (Mt 7:21-23) também estava nos estimulando a ser críticos, isto é, a julgar.

A Bíblia nos ensina também como devemos julgar. Devemos julgar segundo a reta justiça (Jo 7:24) e não pelas aparências, ou movidos por mágoas ou preconceitos. Sempre que praticar um julgamento, certificar-se que está julgando pela Palavra de Deus (At 17:11; Hb 5:12-14 e Gl 1:8) e não pelas nossas crenças particulares. Julgar sempre com bom senso (I CO 14:33; At. 9:10-11), fazendoo uso adequado da Palavra (II Tm 2:15).

Para encerrar, quero deixar claro que o objetivo deste artigo é demonstrar que quando criticamos (julgamos) nossas falhas ou as falhas da igreja como instituição religiosa, estamos fazendo, na realidade, um chamamento à autocrítica de todos aqueles que estão comprometidos com o Evangelho, a fim de abando nar práticas equivocadas e lutar com doutrinas que engodam aos qu não têm conhecimento da Verdade.

***

Wilson Parpinelli é advogado, especialista em Direito Público. Paulista por nascimento, Sul-Matogrossense por adoção, Palmeirense por Paixão !!! Membro da Primeira Igreja Batista de Campo Grande/MS, Vice-Presidente da Juventude Batista da Associação Centro de MS. Bem humorado, amigo fiel, questionador, leitor compulsivo. Interessado em vários campos do conhecimento e das ciências, aprendiz de Teólogo e Apologista nas horas vagas. Enfim, apenas um Cristão alcaçado pela Graça!

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

Os Jesus que vemos hoje

Por: Márcio de Souza
Publicado originalmente em: Púlpito Cristão

Com o evangelho fragmentado que está sendo pregado hoje em dia nos púlpitos brasileiros, fica difícil contabilizar quantos “jesus” existem disponíveis no mercado. Mas vou tentar fazer um esforço pra tentar descrever alguns deles.

Existe o “Jesus palhaço“, que serve bem para entreter o povo fazendo gracinhas no púlpito e promovendo o riso geral tira o foco da seriedade do Evangelho e o coloca na condição de falácia, e tenta transformar a igreja em um circo.

Existe o “Jesus salvador de alma“, que é aquele que só está preocupado com o porvir. Que se dane o hoje e os próximos 30 anos que você vai estar no Evangelho, o importante é salvar a alma! O corpo que padeça! O que importa é a pedrinha na coroa, esse Jesus transforma a igreja em um depósito de crentes e não se importa com qualidade de vida, mas despreza o aspecto social e apenas foca na “salvação da alma” como se isso fosse tudo. Queridos Jesus quer mais que isso, a salvação começa em vida!

Existe o “Jesus asceta”, que é venerado por monges – hoje em dia é representado por crentes que acham que para andar com Jesus é preciso abdicar de tudo que Deus criou para desfrutarmos, para sermos considerados santos.

O “Jesus Cristo superstar“, a celebridade desiludida que uma vez pensou saber quem era, mas que se perdeu rumo ao Getsemani em uma crise de identidade.

O “Jesus pálido galileu“, que o imperador Juliano, o apóstata, tentou mostrar como alguém frágil e apenas sobrenatural, quase um fantasma ao tentar reimplantar o culto pagão em Roma após Constantino. Representado hoje em dia por grupos que precisam de algo a mais do que o sacrifício de Jesus para obterem a benção. Dizem que em seu leito de morte em 363d.C Juliano disse: “Você venceu, galileu!” “Tu conquistaste ó pálido Galileu! Teu respirar deixou o mundo em sombras!”

Mas dentre todos eles, eu fico com o Jesus o Cristo, Filho do Deus Vivo, aquele que vive e reina para sempre, o caminho, a verdade e a vida. A porta das ovelhas, o pão da vida! A esse que é a personificação do Deus verdadeiro, a encarnação da bondade e em quem habita toda plenitude, a honra, a glória e o nosso louvor pelos séculos dos séculos!

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (2 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +2 (from 2 votes)

Teologia da Prosperidade

Por Pr. Marcos Crecchi
Publicado em: A Igreja ao Gosto do Freguês

O evangelho do mito, onde não há industrialização, alfabetização e nem esperança para muitos africanos.

Pastores Afro-americanos querem tirar das igrejas as heresia da Teologia da Prosperidade

Um grupo de pastores Afro-americanos decidiu encontrar uma maneira de suprimir os ensinamentos da Teologia da Prosperidade que tem proliferado em muitas igrejas. Lancee Lewis, pastor de uma igreja na Filadélfia(USA), disse que:

“O Evangelho da saúde e da riqueza é uma ameaça para a histórica igreja negra, assim como foi o liberalismo teológico que afectou a igreja no século XX. No final do século passado, a teologia da prosperidade que sempre espreitou as  igrejas negras, acabou por entrar nela e se tornar central na sua teologia crida e praticada”.

Lewis está dentre um grupo de pastores que está preparando um evento chamado Revival 2K10 que se realizará em Baltimore, Maryland e que proporcionará conferências, planejamentos, elaboração e o lançamento de um movimento de oposição à “heresia” da chamada Teologia da prosperidade.

O objetivo deste evento é sensibilizar a igreja negra para a verdade do Cristianismo histórico”, disse Lewis.

O Evangelho da Prosperidade, é uma teologia que ensina a riqueza e a saúde como um sinal de que Deus está abençoando aquela pessoa e portanto isto significa que quem não é abençoado com riqueza e saúde é porque não está agradando a Deus. Nos últimos anos, muitos líderes cristãos negros têm criticado este ensinamento, que tem permeado especificamente as igrejas Afro-americanas. O Dr. Robert M. Franklin escreveu que a crise das pessoas é o Evangelho da prosperidade – a maior ameaça contra as igrejas negras nos Estados Unidos.

O mundo vive na escuridão… A dignidade esta em quem morre de fome e não em nós que jogamos comida fora…. por José Roberto França Oliveira… Assista a este vídeo e pense sobre a suposta Teologia da Prosperidade:

Da próxima vez que você ouvir falar sobre a teologia da prosperidade, pense nos cristãos africanos e em todas estas imagens que você acaba de assistir neste vídeo. Se ainda acreditar em tal heresia de prosperidade, ore a Deus para que tire estes pensamentos heréticos de sua mente.

*

*

*

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

Revista Época

Fonte: Revista Época

Os Novos Evangélicos

Um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas- e propõe uma nova reforma protestante.

O cirurgião Irani Rosique (sentado, de camisa branca, com a Bíblia aberta no colo). Sem cargo de clérigo, ele mobiliza 2.500 pessoas no interior de Rondônia.

Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

“É lisonjeador saber que nos consideram ‘pensadores’. Mas o grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência. É de ética e honestidade” RICARDO AGRESTE, pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera, em Campinas, São Paulo.

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

Miguel Uchôa e bispo Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“O que importa é buscar a essência do cristianismo, que acabou diluída porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas” MIGUEL UCHÔA, pastor anglicano (à esquerda na foto, ao lado do bispo Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife)

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Pr. Ed Rene Kivitz na Igreja Batista de Água Branca

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

“As pessoas não querem mais dogmas, elas querem autenticidade. Minha postura é, juntos, buscarmos algumas respostas satisfatórias a nossas inquietações” ED RENÉ KIVITZ, pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo

O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”

A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

“O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar. É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia” VALTER RAVARA, “ecocapelão”, criador do Instituto Gênesis 1.28 e da Bíblia verde

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

Blogueiros que organizam a Marcha pela ética, um movimento de protesto incrustado dentro da Marcha para Jesus, promovida pela Renascer

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

Fonte: Revista Época n° 638

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

Não devemos zombar de Deus

Gálatas 6:7 Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

Este vídeo apresenta alguns exemplos reais de pessoas e fatos bastante conhecidos do século XX que ousaram blasfemar contra Deus e foram destruídos por Ele.

As vezes achamos que Deus não age mais da forma que agia no passado. Muitos acabam achando que o Deus que aniquilava os que blasfemavam no Antigo Testamento, ou em exemplos como o de Ananias e Safira no Livro de Atos não faz mais questão de que mantenhamos a santidade de Seu Santo Nome.

Vejam o vídeo e reflitam:

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

Sonho

Por: Rev. Digão
Publicado originalmente em: Genizah

Sonhei certo dia que estava entrando em uma igreja. A entrada dela era um portão grande, feito de carvalho, bem antigo. Suas paredes eram sólidas. Bem sólidas, grossas, feitas de pedra. Pareciam paredes de castelo medieval de tão fortes, sólidas e seguras. Mas essa igreja, que mais se parecia uma catedral de tão grande, era um lugar insalubre, pois não havia espaço para a entrada de luz. Não tinha iluminação interior, nem de velas. Apenas um púlpito feito para caber só um modelo de Bíblia, juntamente com um hinário devidamente autorizado. Os bancos eram de madeira, com direito a porta-copos de ceia e genuflexório acolchoado, para não machucar os joelhos. Ao chegar perto das paredes, vi que, em cada uma das pedras, havia algo escrito. Umas diziam “única visão teológica correta”, outras diziam “estatutos e regulamentos”, e em outras ainda estava escrito “quem não é por nós, é contra nós”. No sonho, ao começar o culto, vi que a plateia era formada apenas de manequins, desses de vitrines de lojas de roupas. Vi que o pastor também era um manequim, com exceção dos olhos, estes humanos, mas que choravam muito. Em momento nenhum vi Jesus naquele lugar. Quis sair logo daquele ambiente claustrofóbico e agonizante.

No sonho, fui a outra igreja. Era muito diferente da primeira. Também era muito grande, mas havia apenas uns panos furados servindo como paredes. Não havia portas, então qualquer um podia entrar e sair. Em vez de bancos, almofadas no chão. Não havia púlpito, já que não tinha Bíblia nem hinário. Era um ambiente de festa o tempo todo. Algo muito cansativo, por fim. Notei que nos panos também havia coisas escritas. Ao chegar perto, li “honra ao nosso líder e a Deus, que foi esperto em colocá-lo entre nós”, “somos livres dentro daquilo que a liderança afirma ser seguro”, “quem não é por nós, é contra nós”. O engraçado é que esta última frase fora encontrada na igreja anterior. Ao começar a concentração (há muito o termo “culto” saiu de moda nessa igreja), vi que a plateia também era formada de bonecos. Mas não eram manequins de vitrine, e sim aqueles bonecões de posto de gasolina, que ficam agitando os braços o tempo todo. O pastor também era um bonecão de posto, mas tinha olhos humanos e que estavam chorando. Da mesma forma, não vi Jesus por ali. Saí correndo.

Entrei numa terceira igreja. Suas paredes eram sólidas como a primeira, mas havia grandes e abundantes janelas, que permitiam a entrada da luz. Suas paredes protegiam o povo, mas não os sufocava como na primeira. Em vez de bancos de madeira, havia almofadas no chão como na segunda igreja. Isso permitia um ambiente mais informal, mas não de eterna festa irresponsável, como visto anteriormente. Vi que havia frases escritas nas paredes. Mas eram bem discretas, e todas diziam o seguinte: “retorno ao Evangelho simples do Deus simples”. Na hora em que começou o culto, vi que a plateia era formada de gente. Mas alguns ainda tinham partes de manequim. Outros, partes de bonecão de posto. O próprio pastor tinha partes de bonecão e de manequim. Mas ali ele não chorava. Pelo contrário, vi em seu rosto um misto de alegria e alívio. Além disso, vi naquela terceira igreja algo maravilhoso: Jesus estava ali, cuidando daquelas pessoas, retirando cuidadosamente as partes de manequim e de bonecão de posto, trocando por partes saudáveis de gente.

Logo acordei. Não acreditava direito no que tinha sonhado. Corri para a internet procurando alguma pista sobre a realidade deste meu sonho. Logo me deparei com notícias de um bonecão de posto amealhando muito dinheiro para “evangelizar” e de um manequim lançando um projeto semelhante. Então vi que meu sonho não era apenas uma descarga dos meus neurônios. Foi um aviso. Jesus está vendo o estado da igreja brasileira e logo restaurará a sanidade de seu povo, deixando para trás os bonecões, os manequins, suas estruturas e festas perenes. Pude, enfim, voltar a dormir tranqüilo.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +2 (from 2 votes)

Virou Macumba!

Por Pr. Renato Vargens
Pastor da Igreja Cristã da Aliança em Niterói
Publicado em: Genizah Virtual

O comportamento de algumas das igrejas chamadas evangélicas, cada vez mais se aproxima dos rituais espíritas. Óleo ungido para arrumar namorado, reteté de Jeová, sal grosso para espantar mal olhado, terapia do amor que trás a pessoa amada em sete dias, videntes espirituais, balas consagradas para “abençoar” crianças, culto do descarrego, despacho gospel, garrafada do tempo dos apóstolos, unção com óleo de objetos inanimados, quebra das maldições hereditárias, encostos, atos proféticos e muito mais.

Pois é, do jeito que a coisa anda daqui a pouco ouviremos em nossos cultos expressões como “Eparrei Jeová” ou “em nome de missifio”. Ora, vamos combinar uma coisa? Infelizmente algumas das liturgias evangélicas estão tão miscigenadas que um desavisado qualquer ao entrar em um de seus cultos pode pensar que entrou no centro de macumba. Ouso afirmar que o sistema comportamental e doutrinário do neopentecostalismo brasileiro se deve em parte ao famigerado sincretismo religioso. O que nos leva a entender que mais do que nunca, precisamos em nosso país resgatar os valores da Reforma Protestante, retornando a Bíblia, fazendo dela a nossa única regra de fé.

Isto posto, afirmo categoricamente que em hipótese alguma experiências mágicas esquizofrênicas, como supertições inequívocas e burrificadas devem nortear o comportamento de nossas igrejas, até porque, somos e fomos chamados pelo Senhor a vivermos um cristianismo equilibrado, racional, apaixonante e apaixonado por aquele que por sua infinita graça e misericórdia nos salvou.

Como inúmeras vezes afirmei neste blog, confesso que estou absolutamente perplexo e preocupado com os rumos da igreja evangélica. Chego a conclusão de que mais do que nunca a igreja brasileira precisa URGENTEMENTE de uma nova reforma.

Pois é, como costumava dizer o reformador João Calvino o verdadeiro conhecimento de Deus está na bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro. Em tempos difíceis como o nosso, precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

Unção financeira por R$610,00

Grande Promoção: Unção financeira por apenas R$610,00

Por: Vera Siqueira
Publicado originalmente em: Púlpito Cristão

Houve tempos em que o Evangelho era pregado de graça, com e pela Graça! Hoje, porém, com a desculpa de que Deus precisa do nosso dinheiro (!) para que a obra seja feita, como se Ele não tivesse mais poder por Si só, alguns vendem unções de riqueza e até da salvação. Acham que o fim justifica qualquer meio, então se a intenção é pregar o Evangelho, a forma como se financia isso não importa.

No ano passado, o Pr. Silas Malafaia levou ao seu programa o Pr. Morris Cerullo, que lançou a profetada de que Deus derramaria uma “unção financeira” sobre quem doasse R$ 900,00 ao programa Vitória em Cristo. A bênção tinha até data final para acontecer: 31 de dezembro de 2009. Assim, o programa arrecadou milhões, mas não informa quantos ficaram realmente milionários com a distribuição que supostamente Deus faria das riquezas mundiais. Para maiores detalhes, leia um artigo postado nesse mesmo blog.

Como expirou o prazo da venda da unção financeira (em troca, inteiramente “grátis”, o fiel ainda recebia uma Bíblia de Vitória Financeira e Batalha Espiritual), foi necessário arrumar outra forma de arrecadar dinheiro dos fiéis. Aí o Malafaia importou o Dr. Mike Murdock, que veio com uma profetada ainda maior: em troca de uma “oferta voluntária” de R$ 1.000,00, o fiel conseguiria a salvação de toda a sua família e ainda bênçãos materiais diversas. A salvação, nesse caso, literalmente se tornou um negócio. Se já é grave vender a promessa de riquezas, muito mais é vender a salvação de alguém. Mas, no atual evangelho das “metas”, está valendo. O importante são os números, financeiros e de membros de uma denominação, não as vidas. Também há um artigo aqui explanando melhor isso.

Agora o Malafaia trouxe o Cerullão novamente, com a mesmíssima história de que Deus distribuirá as riquezas mundiais entre os crentes, mas só entre os que tiverem fé suficiente para ofertar “voluntariamente” R$ 610,00. Em outras palavras, o deus deles teria prorrogado a “unção financeira”, e com um bom desconto para liquidar o estoque. Aceita-se depósitos em conta-corrente, pagamento por boleto bancário e, pelo site Vitória em Cristo, pagamento por cartão em até 6 vezes sem juros.

Eu poderia dizer mil coisas, mas a tristeza pela volta da venda de indulgências por parte da igreja evangélica brasileira não me permite. É duro pensar que a vaidade de um homem que se diz de Deus levará ensinos enganosos a lares de 127 países, ensinos de um evangelho mercantilista, sem Graça, onde a bênção precisa ser comprada com a desculpa de que o dinheiro será usado para estender o Reino. Mas, que Reino?

Não sei o deus deles, mas o Deus que eu sirvo é Todo-Poderoso e sabe, antes mesmo que peçamos, dar o que Seus filhos necessitam. Ele nos pede que não sejamos ansiosos pelo que havemos de comer, de vestir, afinal se Ele veste os lírios do campo e alimenta as aves dos céus, muito mais faz por Seus filhos. Ele não necessita que esmolemos ajuda para que Sua obra continue, seja para a construção de templos ou mesmo manutenção de programas de rádio ou tv, pois Ele tem poder para prover aquilo que vem Dele, não da vontade humana. O problema é que muitos fazem a obra por vontade própria, não pela de Deus, e nesse caso precisam recorrer a subterfúgios para manter a arrecadação necessária para prover seus caprichos, mesmo que esses tenham aparência de bem, afinal “pregar a Palavra” é bom, não é mesmo?

O apóstolo (de verdade) Paulo viajou para diversas cidades e países, e nunca precisou vender “voluntariamente” unções ou salvação para financiar seus projetos evangelísticos. Na verdade, a vida que Paulo teve enquanto na terra pregando o verdadeiro Evangelho nada teve de “vitoriosa”: sofreu naufrágios, açoites, prisão, apedrejamento, e ainda teve que conviver com um “espinho na carne”. A “vitória em Cristo” de Paulo foi nos céus, não na terra, onde as riquezas se corroem. Realmente, são bem distintos os evangelhos pregados por Paulo e por Silas (o Malafaia).

Que Deus tenha misericórdia de nós, que não sabemos discernir o que vem de Deus e o que é puramente vontade e vaidade de homens. Que o verdadeiro Evangelho volte a ser pregado, e que o falso evangelho mercantilista um dia deixe de envergonhar o Reino de Deus em cadeia nacional e internacional de rádio e tv.

Assista ao vídeo de Silas e Morris proclamando a unçao de 610 reais:

***

Vera, Paulo e o bebê Joaquim Lucas Siqueira num dos momentos mais felizes deles

Vera Siqueira não comprou a unção dos últimos dias porque está esperando o preço cair mais um pouquinho, e enquanto isso vai denunciando os vendilhões do Templo.

Vera estuda Administração por livre e espontânea pressão do serviço, mas ainda pretende estudar Antropologia, Sociologia e/ou Teologia (sonhar não custa nada). Enquanto isso não é possível, se contento estudando Teologia por osmose (seu marido fez teologia pela UMESP) e lê muito sobre esses assuntos.

*

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

A Fé Cristã e os Amuletos

Publicado originalmente em: APOCALINK: BIZARRICE GOSPEL

Do Dicionário Aurélio:

AMULETO é “pequeno objeto (figura, medalha, figa, etc.) que, desde a mais alta antiguidade, alguém traz consigo ou guarda por acreditar em seu poder mágico passivo de afastar desgraças ou malefícios”; FETICHE é “objeto animado ou inanimado, feito pelo homem ou produzido pela natureza, ao qual se atribui poder sobrenatural e se presta culto”; SUPERSTIÇÃO é “sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes”.

A Enciclopédia Britânica diz que AMULETO é ”designação genérica de diferentes objetos aos quais se atribui a virtude mágica de guardar ou proteger quem o porta. Usados tradicionalmente para afastar o azar e trazer sorte”. SUPERSTIÇÃO – “É uma atitude de espírito, crença ou prática mágico-religiosa para as quais não há explicação lógica e que se baseiam na convicção de que certos atos, palavras, números ou objetos trazem males, benefícios, azar ou sorte. As superstições, de modo geral, podem ser classificadas como religiosas, culturais e pessoais”.

Dentre os diversos tipos de amuletos (olho de boto ou do peixe-boi; a ferradura, a meia-lua, a estrela-de-davi) a figa é o que alcançou maior popularidade. Usada para combater a esterilidade e o mau-olhado, é representada por uma mão humana fechada com o polegar entre os dedos indicador e médio. Enfim, amuleto é uma figura, medalha ou qualquer objeto portátil, qualquer coisa a que supersticiosamente se atribui virtude sobrenatural para livrar seu portador de males materiais e espirituais, e para propiciar benefícios nessas áreas.

Ao aceitarmos o senhorio de Jesus, recebemos o Espírito Santo (1Co 6.19 Ef 1.13); nossos pecados são perdoados (Atos 10.43; Rm 4.6-8); somos recebidos como filhos de Deus (Jo 1.12); se somos filhos, logo somos também herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8.17); passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1 Jo 3.14); somos novas criaturas (2 Co 5.17); o diabo se afasta e não nos toca (Tg 4.7; 1 Jo 5.18); não estamos mais sujeitos às maldições (Jo 8.32,36); podemos usar o nome de Jesus para curar enfermos e expulsar demônios (Mc 16.17-18); a salvação nos leva a um relacionamento pessoal com nosso Pai e com Jesus como Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23); estamos livres da ira vindoura (Rm 5.9; 1 Ts 1.10; 4.16-17; Ap 3.10), além de outras bênçãos.

O nome de Jesus não pode ser substituído por um objeto ou um produto industrializado. O uso de amuletos evidencia não uma atitude de fé, mas de falta de fé. Deus não opera por esse meio, sejam cordões, pulseiras, pirâmides, cristais, velas ou qualquer outro produto. A Bíblia não apóia tal prática. A atitude de fé é o esperarmos no Senhor e nEle confiarmos. Alegremo-nos no Senhor e Ele nos concederá os desejos do nosso coração (Salmos 23:1; 37:4-7).

A nossa confiança deve ser depositada no Senhor.

Salmo 40:1 Bem-aventurado o homem que pôe no Senhor a sua confiança.

Se dividirmos a nossa fé entre Deus e os amuletos, estaremos coxeando entre dois pensamentos. Não é esta uma manifestação de fé, mas de incredulidade, de dúvida nas promessas de Deus. E a dúvida é inimiga da fé (Mt 21.21). “Abraão não duvidou da promessa de Deus, deixando-se levar pela incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para cumprir” (Rm 4.20-21). Abraão creu na promessa de que seria pai de muitas nações. Aguardou confiantemente. Não apelou para objetos, amuletos, cordão, pulseiras, vassoura atrás da porta.

Os amuletos, longe de serem veículos de bênçãos, podem trazer maldições, porque a fé não está centralizada exclusivamente em Deus. Podemos ler Isaías 31.1 assim:

Ai dos que confiam no poder místico dos amuletos, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor.

O uso de amuletos pelo povo de Deus equivale a tomar o caminho de volta para o Egito. As nossas superstições foram deixadas no esquecimento. Não precisamos limpar nossos olhos com óleo ungido para não vermos as coisas do mundo. Pela ação do Espírito em nossas vidas, já morremos para essas coisas, para o sistema mundano, para o pecado. O Espírito que em nós opera não nos permite colocar coisas impuras diante de nossos olhos (Salmo 101.3).

Os objetos, ou qualquer tipo de material seja sólido ou líquido, do reino mineral ou do reino vegetal, não servem para aumentar a fé dos cristãos. O que transmite fé, o que proporciona fé, o que dá origem à fé, é a palavra de Deus (Rm 10.17). Jesus não distribuiu qualquer tipo de objeto para melhorar a fé de seus ouvintes. Nos primeiros passos da Igreja, vemos Pedro e demais apóstolos anunciando insistentemente o Cristo vivo, e falando com paciência dos mistérios de Deus e das palavras de Jesus. E todos se enchiam de alegria, e milhares aceitavam o Evangelho.

Atos 2:38-41 Disse-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E os que com grado receberam a sua palavra foram batizados, e naquele dia agregaram-se quase três mil almas.

O uso de amuletos é incompatível com a vida cristã e não proporciona prosperidade material ou espiritual a ninguém. Quem deseja viver uma vida de paz e de abundância deve buscar “primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Sl 37.25; Mt 6.33; Mc 10.29-30; Lc 12.31; Jo 10.10). Para viver a sua fé o cristão não precisa de figas, de cordão de ouro, varinha mágica, porque as maldições não prevalecem contra nossas vidas. “Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não encontra repouso” (Pv 26.2). A maldição nos alcança se não estivermos sob a proteção de Deus, se não confiarmos nEle, se estivermos em pecado.

A fé cristã rejeita o uso de qualquer objeto com o propósito de obter favores espirituais ou evitar a influência demoníaca. Do Egito já viemos. Das superstições já nos libertamos. Do jugo do opressor já estamos livres. Da Babilônia espiritual já saímos. Cristo quebrou na cruz todas as amarras, grilhões, embaraços; quebrou os fortes laços que nos prendiam ao mundo das trevas (Gl 3.13). Um irmão escreveu num fórum de debate: “Deus nos fez livres, livres de contatos físicos para O sentir, livres de pontos de apoio, para crer, livres de toda e qualquer espécie de superstição e amuletos, livres para crer num Deus que tudo supre, tudo faz, tudo opera naqueles que o amam”.

Quando estávamos na ignorância espiritual, fazíamos uso de incensos e defumadores para afastar os maus espíritos. Agora, é a Bíblia que nos dá a receita:

Tiago 4:7 Submetei-vos, pois a Deus. Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.

Gálatas  5:1 Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres. Estai, pois, firmes e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da escravidão.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (2 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

Fogo Estranho

Em tempos de aberrações teológicas, apologistas e líderes evangélicos demonstram perplexidade diante de desvios doutrinários

Publicado Originalmente em Cristianismo Hoje

O crente brasileiro sabe: vez por outra, a Igreja Evangélica brasileira é agitada por uma novidade. Pode ser a chegada de um novo movimento teológico, de uma doutrina inusitada ou mesmo de uma prática heterodoxa, daquelas que causam entusiasmo em uns e estranheza em outros. Quem frequentava igrejas nos anos 1980 há de se lembrar do suposto milagre dos dentes de ouro, por exemplo. Na época, milhares de crentes começaram a testemunhar que, durante as orações, obturações douradas apareciam sobrenaturalmente em suas bocas, numa espécie de odontologia divina.

Muito se disse e se fez em nome dessa alegada ação sobrenatural de Deus, que atraiu muita gente aos cultos. Embora contestados por dentistas e nunca satisfatoriamente explicados – segundo especialistas, o amarelecimento natural de obturações ao longo do tempo poderia explicar o fenômeno, e houve quem dissesse que a bênção nada mais era que o efeito de sugestão –, os dentes de ouro marcaram época e ainda aparecem em bocas por aí, numa ou noutra congregação.

Outras manifestações nada convencionais sacudiram o segmento pentecostal de tempos em tempos. Uma delas era a denominada queda no Espírito, quando o fiel, durante a oração, sofria uma espécie de arrebatamento, caindo ao solo e permanecendo como que em transe. Disseminada a partir do trabalho de pregadores americanos como Benny Hinn e Kathryn Kuhlman, a queda no poder passou a ser largamente praticada como sinal de plenitude espiritual e chegou com força ao Brasil.

A coqueluche também passou, mas ainda hoje diversos ministérios e pregadores fazem do chamado cair no poder elemento importante de sua liturgia. A moda logo foi substituída por outras, ainda mais bizarras, como a “unção do riso” e a “unção dos animais”. Disseminadas pela Comunhão Cristã do Aeroporto de Toronto, no Canadá, a partir de 1993, tais práticas beiravam a histeria coletiva – a certa altura do culto, diversas pessoas caíam ao chão, rindo descontroladamente ou emitindo sons de animais como leões e águias. Tudo era atribuído ao poder do Espírito Santo.

A chamada “bênção de Toronto” logo ganhou mundo, à semelhança das mais variadas novidades. Parece que, quanto mais espetacular a manifestação, mais ela tende a se popularizar, atropelando até mesmo o bom senso. Mas o que para muita gente é ato profético ou manifestação do poder do Senhor também é visto por teólogos moderados como simples modismos ou – mais sério ainda – desvios doutrinários. Pior é quando a nova teologia é usada com fins fraudulentos, para arrancar uma oferta a mais ou exercer poder eclesiástico autoritário. “A Bíblia diz claramente que haverá a disseminação de heresias nos últimos dias, e não um grande reavivamento, como alguns estão anunciando”, alerta Araripe Gurgel, pesquisador da Agência de Informações Religiosas (Agir).

Pastor da Igreja Cristã da Trindade, ele é especialista em seitas e aberrações cristãs e observa que cada vez mais a Palavra de Deus tem sido contaminada e pervertida pelo apelo místico. “Esse tipo de abordagem introduz no cristianismo heresias disfarçadas em meias-verdades, levando a uma religião de aparência, sensorial, sem a real percepção de Deus”, destaca.
“Não dá para ficar quieto diante de tanta bizarrice”, protesta o pastor e escritor Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança, em Niterói (RJ). Apologista, ele tem feito de seu blog uma trincheira na luta contra aberrações teológicas como as que vê florescer, sobretudo, no neopentecostalismo.

“Acredito, que, mais do que nunca, a Igreja de Cristo precisa preservar a sã doutrina, defendendo os valores inegociáveis da fé cristã. A apologética cristã é um ministério indispensável à saúde do Corpo de Cristo”. Na internet, ele disponibiliza farto material, como vídeos que mostram um pouco de tudo. Um dos mais comentados foi um em que um dos líderes do Ministério de Madureira das Assembleias de Deus, Samuel Ferreira, aparece numa espécie de arrebatamento sobre uma pilha de dinheiro, arrecadado durante um culto. “Acabo de ver no YouTube o vídeo de um falso profeta chamado reverendo João Batista, que comercializa pó sagrado, perfume da prosperidade e até um tal martelão do poder”. acrescenta Vargens.

Autor do recém-lançado livro Cristianismo ao gosto do freguês, em que denuncia a redução da fé evangélica a mero instrumento de manipulação, o pastor tem sido um crítico obstinado de líderes pentecostais que fazem em seus programas de TV verdadeiras barganhas em nome de Jesus. “O denominado apóstolo Valdomiro Santiago faz apologia de sua denominação, a Igreja Mundial do Poder de Deus, desqualificando todas as outras. E tem ensinado doutrinas absolutamente antibíblicas, onde o ‘tomá-lá-dá-cá’ é a regra”. Uma delas é o trízimo, em que desafia o fiel a ofertar à instituição 30% de seus rendimentos, e não os tradicionais dez por cento. A “doutrina das sementes”, defendida por pregadores americanos como Mike Murdoch e Morris Cerullo nos programas do pastor Silas Malafaia, também rendeu diversos posts. Segundo eles, o crente deve ofertar valores específicos – no caso, donativos na faixa dos mil reais – em troca de uma unção financeira capaz de levá-lo à prosperidade. “Trata-se de um evangelho espúrio, para tirar dinheiro dos irmãos”, reclama Vargens. “Deus não é bolsa de valores, nem se submete às nossas barganhas ou àqueles que pensam que podem manipular o sagrado estabelecendo regras de sucesso pessoal.”

Crise teológica – Numa confissão religiosa tão multifacetada em suas expressões e diversa em termos de organização e liderança, é natural que o segmento evangélico sofra com a perda de identidade. O próprio conceito do que é ser crente no país – tema de capa da edição nº 15 de CRISTIANISMO HOJE – é extremamente difuso. E muitas denominações, envolvidas em práticas heterodoxas, vez por outra adotam ritos estranhos à tradição protestante. Joaquim de Andrade, pastor da Igreja Missionária Evangélica Maranata, do Rio, é um pesquisador de seitas e heresias que já enfrentou até conflitos com integrantes de outras crenças, como testemunhas de Jeová e umbandistas. Destes tempos, guarda o pensamento crítico com que enxerga também a situação atual da fé evangélica: “Vivemos uma verdadeira crise teológica, de identidade e integridade. Os crentes estão dando mais valor às manifestações espirituais do que à Palavra de Deus”.

Neste caldo, qualquer liderança mais carismática logo conquista seguidores, independentemente da fidelidade de sua mensagem à Bíblia. “Manifestações atraem pessoas. O próprio Nicodemos concluiu que os sinais que Cristo operou foram além do alcance do povo, mas não temos evidência de que ele tenha mesmo se convertido”, explica o pastor Russel Shedd, doutor em teologia e um dos mais acreditados líderes evangélicos em atuação no Brasil. Ele refere-se a um personagem bíblico que teve importante discussão com Jesus, que ao final admoestou-lhe da necessidade de o homem nascer de novo pela fé. “Líderes que procuram vencer a competição entre igrejas precisam alegar que têm poder”, observa, lembrando que a oferta do sobrenatural precisa atender à imensa demanda dos dias de hoje. “Mas poder não salva nem transmite amor”, conclui.

“A busca pela expansão evangélica traz consigo essa necessidade de aculturação e, na cultura religiosa brasileira, nada mais puro do que a mistura”, acrescenta o pastor Fabrício Cunha, da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo. “O candomblé já fez isso, usando os símbolos do catolicismo; o espiritismo, usando a temática cristã; e agora, vêm os evangélicos neopentecostais, usando toda uma simbologia afro e um misticismo pagão”, explica. Como um dos coordenadores do Fórum Jovem de Missão Integral e membro da Fraternidade Teológica Latinoamericana, ele observa que mesmo os protestantes são fruto de uma miscigenação generalizada, o que, no campo da religião, tem em sua gênese um alto nível de sincretismo.
Acontece que, em determinadas comunidades cristãs, alguns destes elementos precisam ser compreendidos como estratégias de comunicação e atração de novos fiéis.

Aí, vale tanto a distribuição de objetos com apelo mágico, como rosas ungidas ou frascos de óleo, como a oferta de manifestações tidas como milagrosas, como o já citado dente de ouro ou as estrelinhas de fogo – se o leitor ainda não conhece, saiba que trata-se de pontos luminosos que, segundo muitos crentes, costumam aparecer brilhando em reuniões de busca de poder, sobretudo vigílias durante a noite ou cultos realizados nos montes, prática comum nas periferias de grandes cidades como o Rio de Janeiro.

O objetivo das tais estrelinhas? Ninguém sabe, mas costuma-se dizer que é fogo puro, assim como tantas outras manifestações do gênero.
“Alguns desses elementos são resultado de um processo de sectarização religiosa”, opina o teólogo e mestre em ciências da religião Valtair Miranda. “Ou seja, quanto mais exótica for a manifestação, mais fácil será para esse líder carismático atrair seguidores para seu grupo”.

Miranda explica que, como as igrejas evangélicas, sobretudo as avivadas, são, em linhas gerais, muito parecidas, o que os grupos sectários querem é se destacar. “Eles preconizam um determinado tópico teológico ou passagem bíblica, e crescem em torno disso. Objetos como lenços ungidos, medalhas, sal ou sabonete santificados são exemplos. Quanto mais diferente, maior a probabilidade de atrair algum curioso”. A estratégia tende a dar resultado quando gira em torno de uma figura religiosa carismática. “Sem carisma, estes elementos logo provocam sarcasmo e evasão”, ressalva. O estudioso lembra o que caracteriza fundamentalmente um grupo sectário – o isolamento. “Uma seita precisa marcar bem sua diferença para segurar seu adepto. Quanto mais ele levantar seus muros, mais forte será a identidade e a adesão do fiel.”

“Propósito de Deus” – Mas quem faz das manifestações do poder do Espírito Santo parte fundamental de seu ministério defende que apenas milagres não bastam. “É necessário um propósito e uma mudança de vida”, declara o bispo Salomão dos Santos, dirigente da Associação Evangélica Missionária Ministério Vida. Como ele mesmo diz, trata-se de uma igreja movida pelo poder da Palavra de Deus, “que crê que Jesus salva, cura, liberta e transforma vidas”. O próprio líder se diz um fruto desse poder. Salomão conta que já esteve gravemente doente, sofrendo de hepatite, câncer e outras complicações que a medicina não podia curar. “Cheguei a morrer, mas miraculosamente voltei à vida”, garante o bispo, dizendo que chegou a jazer oito horas no necrotério de um hospital. “Voltei pela vontade de Deus”, comemora, cheio de fé.

Consciente, Salomão diz que milagres e manifestações naturais realmente acontecem, mas “somente para a exaltação e a glória do Senhor, e não de homens ou denominações”. O bispo também observa que alguns têm feito do poder extraordinário de Jesus uma grande indústria de milagres: “O Senhor não dá sua glória para ninguém. Ele opera maravilhas através da instrumentalidade de nossas vidas”. E faz questão de reiterar a simplicidade com que Jesus viveu sua vida terrena e que, muitas vezes, realizou grandes milagres sem nenhum alarde. “O agir de Deus não é um espetáculo.” (Colaborou Virgínia Martin)

Sangue fajuto

A novidade chama a atenção pelo seu aspecto bizarro. Num templo da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), fiéis caminham através de pórticos representando diversos aspectos da vida (“Saúde”, “Família”, “Finanças”). Até aí, nada demais – os chamados atos proféticos como este são comuns na denominação. O mais estranho acontece depois. Caracterizados como sacerdotes do Antigo Testamento, pastores da Universal recebem as pessoas e, sobre um pequeno altar estilizado, fazem um “sacrifício de sangue”. A nova prática vem ganhando espaço nos cultos da Iurd, igreja que já introduziu no neopentecostalismo uma série de elementos simbólicos. Tudo bem que o sangue não é real (trata-se de simples tinta), mas a imolação simulada vai contra tudo o que ensina o Novo Testamento, segundo o qual Jesus, o Cordeiro de Deus, entregou-se a si mesmo como supremo e definitivo sacrifício pela humanidade. Com sangue puro, e não cenográfico.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

Quem é o maior?

Marcos 9:30-41 E, tendo partido dali, caminharam pela Galiléia, e não queria que alguém o soubesse; Porque ensinava os seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e, morto ele, ressuscitará ao terceiro dia. Mas eles não entendiam esta palavra, e receavam interrogá-lo. E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho? Mas eles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior. E ele, assentando-se, chamou os doze, e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. E, lançando mão de um menino, pô-lo no meio deles e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes: Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou. E João lhe respondeu, dizendo: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue. Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós. Porquanto, qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão.

1. Introdução:

Jesus e seus homens estão a caminho de Cafarnaum nestes versos. Como de costume, Jesus usa o seu tempo a sós para ensinar-lhes mais sobre Ele mesmo e sobre qual era verdadeiramente o Seu ministério.

Nos versículos 30-31 Jesus diz novamente aos Seus discípulos que Ele será morto, mas que Ele irá ressuscitar dentre os mortos. Estes ouvem o que Ele diz, mas não conseguem compreender isso, e eles têm medo de perguntar o que Ele queria falar com isto, v. 32.

Os discípulos não são capazes de compreender a verdade de que o Messias deveria dar a Sua vida pela salvação do Seu povo. Eles não conseguem compreender a verdade de que Jesus veio a este mundo “não para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos.” Eles não vão conseguir entender o objetivo principal de Jesus, e do Seu ministério entre eles, até depois que Ele morra na cruz e ressuscite dentre os mortos. Depois disto é que eles vão entender, através da atuação do Espírito Santo neles, e então vão pregar a Sua morte e ressurreição que demonstra todo Seu poder, para a salvação de muitas almas.

Obviamente, o nosso mundo também tem um problema com a imagem de um Salvador que sofre, de um Deus crucificado e sangrando. A idéia de que Deus teria que morrer pelos pecados de modo que os pecadores pudessem ser salvos é algo muito distante da compreensão humana do que é uma religião. De acordo com a maioria das religiões, o homem é capaz de trabalhar o seu caminho para chegar, por merecimento, até Deus. No entanto o Verdadeiro Deus diz que o homem não pode aproximar-se dEle pelas obras (Ef. 2:8-9). A única maneira com a qual uma pessoa pode chegar a Deus é através de um relacionamento de fé com o Senhor Jesus Cristo (João 14:6).

O mundo de hoje em dia ouve a mensagem da cruz e diz que é loucura, isto não é novidade, já nos tempos Bíblicos víamos exatamente isto ocorrendo como o relato de 1 Coríntios. 1:18. Dizer que Jesus deveria morrer para que os pecadores pudessem ser salvos é algo difícil do ser humano compreender. Lembre-se que até mesmo os discípulos estavam neste mesmo barco de incredulidade.

Eles imaginavam Jesus instituindo o Seu reino aqui na Terra. Imaginavam vê-Lo reinar em poder e glória dentre os homens. Viam-nO derrotando os inimigos de Israel e restaurando a antiga glória de Israel. Eles não podiam é vê-lO morrendo pelos pecadores.

O que eles não podiam compreender era exatamente o que Jesus veio fazer neste mundo. Ele veio para morrer e ressuscitar “para que todo aquele que NEle crer tenha a vida eterna”. Essa é a verdade que Jesus tentou ensinar a seus discípulos e é isso que Ele quer que você aprenda.

A salvação vem somente através de um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus Cristo ( Atos 16:31; Romanos 10:13, 1ºCoríntios 1:18). Jesus é o seu Salvador pessoal?

Depois desta pequena explanação sobre a missão de Jesus na Terra e sobre como que se consegue a única salvação, vamos então entrar no assunto deste artigo que é quem é o maior no reino de Deus. Estes eventos estão na Bíblia para ensinar aos Cristãos que a verdadeira grandeza vem de um humilde serviço aos outros e não de títulos, cargos e postos eclesiásticos que o homem possa alcançar. Vamos refletir sobre essa conversa entre Jesus e os seus homens? O que acha de repensar sobre: Quem é o maior? Muitos são os que acham que são os maiores, assim como os discípulos também se achavam. Porém, através deste texto de Marcos 9 podemos descobrir que o caminho para a verdadeira grandeza está disponível para todos os cristãos, basta querer fazer conforme Jesus ensinou.

Este artigo irá falar sobre um debate, uma manifestação e uma declaração baseado nestes versos. Deixe o verdadeiro Mantenedor da Fé – O Espírito Santo – ministrar em seu coração sobre “Quem é o maior”.

2. UM DEBATE (Versículos 33 e 34)

Foto atual de ruínas da cidade de Cafarnaum

Quando chegaram ao final de sua jornada, Jesus faz uma pergunta simples e ao mesmo tempo profunda a Seus homens. Ele queria saber o que eles estavam discutindo enquanto viajavam (v. 33). Sua pergunta é recebida com um silêncio. Sabe aquele nó na garganta que nos dá quando sabemos que estamos errados ao fazer algo e alguém pergunta exatamente sobre isto? Aparentemente era isto que eles sentiram. Eles estavam envergonhados pela discussão que estavam tendo, porque, na verdade, eles haviam discutido entre si sobre quem era o maior dentre eles. Eles haviam discutido sobre quem era o discípulo número um! Eles tinham consciência que querer cargos, postos e honrarias deveria ser contrário ao que Jesus desejava. Certamente  eles podiam ver que Jesus não se agrada com esta hierarquização humana.

Mas o que havia feito com que eles começassem a pensar sobre isto? Eu creio que tinha algo a ver com o fato de que Jesus tinha escolhido três deles, Pedro, Tiago e João, para ir com Ele em um momento especial até o Monte Hermon (v. 2). Creio que tinha algo a ver com o fato de que, quando estes três desceram daquela montanha, eles foram orientados, por Jesus, a não falar sobre o que tinham visto ou ouvido lá (v. 9).

Assim, esses três homens descem da montanha, animados sobre o que viram lá, sem poder contar aos outros. Eles três deveriam estar dizendo dentre si coisas como “Cara, eu nunca vi nada assim! E você?” ou “Essa foi a experiência espiritual mais incrível da minha vida!” Então, eles descem da montanha após ter visto a gloriosa presença de Deus, tendo visto Elias e Moisés (que os Judeus reverenciavam como os dois que tinham a maior honraria dentre todos os seres humanos), e ainda por cima tendo ouvido a voz de Deus falando com eles, mas, desceram o monte sem entender nada do que Jesus ensinava sobre como o homem deve ser.

Eles voltam desta experiência e se sentem exaltados. Posso vê-los sorrindo dentre si; conversando entre si e sentindo-se um pouco superior aos demais. Quantos cristãos hoje em dia fazem exatamente isto? Por terem recebido uma bênção um pouco diferente dos demais, começam a se achar superiores aos demais, começam a quererem ser reverenciados pelos outros por terem tido aquela experiência. Homens e mulheres que Deus abençoou com alguma experiência sobrenatural e a partir daquele momento, querem que os outros tenham a eles como maiores e mais importantes. Pessoas que são usadas por Deus para pregar, para aconselhar, para curar, para ter revelações e visões, para desenvolver alguns dos dons do Espírito Santo, e ao invés de se humilharem na presença do Senhor, ao invés de reconhecerem pessoalmente que não são eles, mas sim Deus através deles, começam a criar cargos, postos, hierarquias e se sentem superiores.

Enquanto três dos discípulos do Senhor estavam aproveitando daquela poderosa experiência na montanha, os outros discípulos estavam lutando uma batalha no vale. Eles haviam entrado em uma discussão com os escribas e tinham sido ridicularizados pela multidão. Estes nove discípulos haviam falhado miseravelmente em uma batalha espiritual. Eles não tinham nenhum motivo para compartilhar a excitação (ou o silêncio) de Pedro, Tiago e João.

Enquanto andam pela estrada, eles começam a conversar. Os nove pedindo aos três que falassem sobre o que aconteceu no topo da montanha. Os três respondendo que não podiam dizer o que aconteceu lá em cima.

É fácil imaginar que isso acabaria causando nos nove discípulos um sentimento de inferioridade e que “seriam discípulos de segunda categoria”. Os outros três por sua vez, certamente tiveram dentre si o sentimento de que eram superiores aos demais. Certamente podemos imaginar como que a conversa foi.

Pedro, Tiago e João afirmando que obviamente um deles é o maior daquele grupo, já que eles é que foram escolhidos para ir com Jesus e os outros não.

Talvez Pedro tenha dito: “Bem, é óbvio que eu sou o líder. Afinal de contas, eu fui o primeiro a proclamar a Jesus como o Messias”. (aliás, algumas “igrejas cristãs” afirmam ter a sucessão do “trono de Pedro” achando que este era o maior dentre os discípulos).

Por sua vez, mesmo sem ter subido ao monte, André poderia dizer: “Espere um minutinho Brother! Fui eu que apresentei Jesus a você. Se não fosse por mim, você ainda estaria lá no mar fedendo a peixe e tostando debaixo do sol e com o sal do mar.”

Talvez João e Tiago falassem: “Espere aí! Nós é que fomos os primeiros a segui-Lo. Temos estado com Ele há mais tempo do que todo o resto de vocês.”

Judas certamente não deixaria por menos e diria: “Vocês são uns otários! Ele confia é em mim para cuidar do dinheiro, certamente sou o maioral aqui.”

E por ai iria. Cada um daqueles homens pensando que ele era mais qualificado do que os outros. Cada um daqueles homens pensando que é mais digno de honra que os outros. Cada um daqueles homens pensando que ele mesmo deveria ser o maioral do grupo.

Portanto, ao serem questionados por Jesus, não é de se estranhar que esses homens demonstraram sentir vergonha de seus argumentos. Quando eles estavam conversando entre si, a questão parecia importante. Mas, quando eles foram confrontados com Jesus, de repente, se viram como bobos, imaturos, arrogantes e egocêntricos. Jesus estava falando sobre os assuntos da eternidade e eles estavam se concentrando apenas em seus próprios interesses de poderes terrenos, sobre quem seria o “novo patriarca”.

Olhe para o contexto! Jesus acabara de revelar a Sua glória. Jesus acabara de comprovar o Seu poder sobre os demônios. Jesus acabara de lembrar-lhes que Ele vai morrer e ressuscitar dentre os mortos. E, tudo o que aqueles homens podiam fazer era lutar sobre quem deveria ser o primeiro, o maioral? Não é à toa que deveriam ficar envergonhados.

Uma coisinha só: “ainda hoje é constrangedor quando isso acontece!” Mas você pode perguntar: “Será que ainda acontece isto?” Por todo o lado temos visto os “galgadores do Trono de Deus” agindo. Onde quer que você vá hoje em dia encontra pessoas que querem ser reconhecidos como o maior e o melhor. Quase toda igreja no Brasil e no Mundo tem pessoas que querem ser reconhecidas como a maior e melhor. Bispos, Arcebispos, Papas, Apóstolos, Patriarcas… para todo lado vemos isto acontecendo no Cristianismo.

Um claro exemplo pode ser visto na carta de 3ºJoão. João é o homem que conviveu com Jesus, foi chamado de Apóstolo do Coração de Jesus, havia vivenciado os fatos do Dia de Pentecostes, tinha sido condenado por causa do Nome de Jesus… Mas havia outro homem, um tal de Diótrefes, ao qual João diz que “procura ter entre eles o primado”(v. 9). Quem é este homem que queria ser o número um? Ele era alguém que queria ter o controle da igreja em suas mãos. Ele queria ter a igreja sob seu “domínio espiritual”. Ele queria ser o chefe da igreja. Ele queria que todos os membros da igreja se curvassem à sua vontade. Diótrefes é o tipo de pessoa que você não deve se esforçar para ser igual! No entanto, quantos Diótrefes nós vemos hoje em dia na Igreja de Cristo?

Eu gostaria de deixar claro que, através deste texto bíblico, podemos ter a certeza absoluta que existe uma única verdade: “Não existem grandes ‘1ºs’ e muito menos os ‘crentes de segundo escalão’ no reino de Deus”. Tudo o que temos na igreja são “as pessoas que foram salvas pela graça de Deus”. Não há mestres ou “pessoas mais ungidas” no reino de Deus que devam ser servidas e seguidas. Não! Na Igreja do Senhor Jesus Cristo só existe as pessoas que precisa aprender a servir os outros. Nós não somos uma igreja cheia de Mestres, somos uma igreja repleta de parceiros. Nós todos somos servos do Deus Vivo e dos outros.

Quando acabar esta vida é logo estarmos diante do Trono do Senhor (onde só Deus se senta!), todas as nossas mesquinharias serão bobagens dos que se esforçaram para ser o maioral. Estes irão ser vistos tão infantil como eles realmente são. Você prefere ficar diante dEle em constrangimento porque você quis ser o maioral? Ou você prefere ficar diante dEle e ouvir o que Ele diz a quem soube se humilhar:

Mateus 25:21 Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

A escolha é sua.

3. UMA MANIFESTAÇÃO (versículos 35 a 37)

A fim de corrigir o insensato e imaturo pensamento dos Seus discípulos, Jesus sentou para ensinar-lhes Sua verdade (v.35). Quando um rabino sentava-se, naqueles dias, ele assumiu um lugar de autoridade sobre seus alunos. Quando Jesus sentou-se, seus homens sabiam que precisavam ouvir o que Ele iria falar!

Quando Jesus começa a ensinar, Ele fala de um grande paradoxo. Ele diz a eles que o caminho para a grandeza é através do ser servo dos outros. É como dizer que a porta para chegar ao primeiro lugar, o mais honroso, o maioral está na verdade localizada no bairro dos servos, lá na periferia, na humildade da casinha mais simples. Como curiosidade, vemos que a palavra “servo” que se encontra no versículo 35, é a mesma palavra traduzida como “diácono” (cargo eclesiástico) em outras partes do Novo Testamento. O termo refere-se aos “que servem a mesa“. O significado literal da palavra é “quem limpa a poeira“.  Certamente esta é uma posição bem diferente do que muitos querem ter dentro de nossas Igrejas.

Jesus está ensinando a seus homens que a verdadeira grandeza é obtida através do serviço humilde feito para os outros. Essa é uma lição que se perdeu em nossos dias. Algumas pessoas acham que eles merecem respeito e tratamento preferencial só porque ocupam uma determinada posição eclesiástica. Se você assistir a alguns cultos de certos pregadores você vai encontrar esta atitude o tempo todo. Há alguns homens que andam por aí como pavões esperando que os outros caiam prostrados diante deles e que digam-lhes como eles são grandes.

O exemplo do Pr. Caio Fábio é muito importante nesta hora… Ele foi considerado durante muitos anos um ícone dentre os evangélicos brasileiros. Conheço-o pessoalmente, sempre gostei e gosto das mensagens dadas por Deus a este homem, no entanto ele era bajulado por todos, era admirado por muitos, galgou uma unanimidade sem igual no Brasil Cristão. Porém, ao cair (e Deus sempre faz com que estes caiam) ele se viu como realmente era. As pregações dele continuam tão poderosas como sempre foram, sua vida continua a ser usada por Deus tão poderosamente como sempre foi, mas agora, o homem Caio passou a ser mais humilde e deixou que os holofotes se apagassem sobre ele. Ele só não chegou ao ponto de ser chamado de apóstolo, papa, patriarca… Mas isto é porque, ao menos, ele tinha uma boa formação eclesiástica.

Jesus aponta nesta manifestação que: se você realmente quer que os outros te respeitem, você deve servi-los. Coloque-os diante de si mesmo e satisfaça as suas necessidades esquecendo as suas próprias necessidades. Dê-lhes o primeiro lugar, sem querer nada em troca. Quando nós nos humilhamos, o Senhor vai nos exaltar em Seu devido tempo, Mateus 23:12 e 1ºPedro 5:5.

Para colocar um ponto ainda mais claro no que Ele está ensinando, Jesus toma uma criança e coloca-a diante dos discípulos (v. 36). Ele diz a eles que se eles “receberem” a uma criança em Seu nome estão, na verdade, “recebendo” tanto ao Filho quanto ao Pai que O enviou.

Jesus está nos dizendo que quando servimos ao menor dentre nós, estamos, na realidade, servindo-O. Ao servi-lO, estamos servindo ao Pai também.

Jesus poderia simplesmente ter dito isso a eles. Por que Ele fez uso de uma criança? Acho que há várias razões. Primeiro, as crianças na sociedade judaica estavam no final da escala social (abaixo das mulheres, dos escravos e dos estrangeiros). Elas eram vistas como meras propriedades e eram ignoradas pela maioria dos adultos. Em segundo lugar, Jesus usou uma criança para ensinar a Seus discípulos sobre o serviço, porque as crianças realmente não podem fazer nada pelos adultos. Uma criança não pode melhorar a posição financeira de uma pessoa na sociedade. Uma criança não pode adicionar absolutamente nada ao sucesso dos outros. Uma criança não pode torná-lo mais importante aos olhos do mundo. Entretanto, uma criança pode ensinar muito sobre como deve ser o ministério dos cristãos!

Pense nisso, todos os que já são pais sabem o que acontece quando você tem um bebê novinho. A criança precisa de ajuda em tudo! Todos os dias elas precisam ser servidas, todas as suas necessidades devem ser atendidas por um adulto disposto a isso. Se elas são ignoradas, elas fazem que você lembre-se delas de modo alto e irritante. (BUÁÁÁ!!!) Quando os pais têm filhos, eles aprendem o que significa o verbo dar. Quando a criança nasce você dá e você dá e você dá. Quando a criança cresce, você dá e você dá e você dá. Muitas vezes, até chegarem à idade adulta, você ainda dá e você ainda dá e você ainda dá.

Jesus usou uma criança porque as crianças precisam ser servidas, mas elas não podem servir-nos de volta. Essa é uma lição que todos nós precisamos levar a sério. Muitas vezes, acabamos por só servir aqueles que podem fazer algo em troca para nós. O Senhor quer nos fazer chegar àqueles que são os mais necessitados. Ele deseja que façamos como Ele fez e dar tudo por aqueles que até podem quebrar nossos corações em troca.

Muitas vezes, em nossas igrejas ficamos buscando por pessoas que possam ser “como nós”. Olhamos para aqueles que achamos que vão ser uma bênção para a igreja. Queremos pessoas com dinheiro, com talento para alguma arte ou para a palavra e, principalmente, para aqueles com muito potencial. Procuramos pessoas que possam ajudar a tornar nossa Igreja um “sucesso”. Jesus, por outro lado, tinha o hábito de chegar às pessoas que não podiam fazer nada por Ele em troca, como a filha de Jairo, a viúva de Naim, o endemoninhado Gadereno, Bartimeu (o ladrão que estava morrendo), etc…

Foi isso o que Jesus fez na noite antes de morrer. Seus discípulos estavam tão ocupados discutindo sobre quem deveria ser o maior que nem um deles iria humilhar-se e lavar os pés dos outros (como era o costume daquela época). Mas, quando Jesus e Seus discípulos estavam no Cenáculo para aquela refeição, Jesus colocou uma toalha na cintura e lavou os pés dos Seus discípulos (João 13:1-17). Jesus tomou o lugar de servo e lavou os pés sujos daqueles homens que Ele sabia que iriam fugir antes mesmo do amanhecer. Ele lavou os pés de Pedro, que O negaria três vezes antes do amanhecer. Ele lavou até mesmo os pés de Judas Iscariotes, que O trairia entregando-O nas mãos de Seus inimigos naquela mesma noite.

Jesus serviu livremente aqueles que quebrariam seu coração, e Ele sabia disto. No dia seguinte, Jesus realizou o maior serviço de todos, quando Ele foi para o Calvário para morrer na cruz pelos pecadores que O odiavam e não queriam nada com Ele.

Jesus deu o exemplo para nós. Ele foi o servo da população mais carente de todas. Ele foi o servo de quem nunca poderia pagar a Ele. Ele foi o servo de quem Ele sabia que iria falhar, negá-lO, e desonrá-lO. Ele foi um servo para você e para todos os homens e mulheres que apenas aceitarem que Ele fez tudo que precisava ser feito por nós quando Ele morreu na cruz (Marcos 10:45).

Precisamos voltar nossos corações para aqueles que precisam de Jesus, independentemente de o que estes pode trazer para a nossa honra humana ou com o que podem contribuir para a nossa igreja. Precisamos cumprir o comando de Nosso Senhor de “quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos” (Lucas 14:13). Precisamos lavar os pés dos que nos rodeiam, independentemente da sua posição na sociedade, sua capacidade de nos ajudar, ou o seu poder e influência. Precisamos de um coração que esteja disposto a servir, pelo menos entre nós para a glória de Deus! Nada de dar honrarias a políticos agora nas vésperas de eleições esperando em troca benemesses públicas, nada de destacar pessoas ricas esperando em troca gordas contribuições. No Reino de Deus não existem V.I.P.s.

4. A DECLARAÇÃO (versículos 38 a 41)

Quando João ouviu as palavras de Jesus, ele traz a tona um incidente que ocorreu algum tempo antes (v. 38). Aparentemente, os discípulos tinham encontrado um cristão que estava expulsando demônios em nome de Jesus. Esse cristão foi bem sucedido porque o verso diz que “ele estava expulsando demônios em nome de Jesus”. Mas, porque ele não se submetia aos discípulos, estes o repreenderam e disseram-lhe para parar o que estava fazendo.

João estava dizendo: Olha Jesus, nós vimos um homem que estava por ai usando seu nome para expulsar demônios. Mas ele não era discípulo de nenhum de nós, nenhum de nós tinha a “autoridade espiritual sobre ele”. Fica tranqüilo que nós vamos colocá-lo na linha! Ou ele se submete a nós, ou vamos tirar ele do negócio.

Jesus responde dizendo-lhes para deixar as pessoas serem livres para a obra DEle (v. 39). Se eles estão fazendo a obra no nome de Jesus, se estão proclamando o evangelho de Jesus Cristo, se estão livrando almas das garras da morte, eles não são contra Ele, mas estão trabalhando para Ele (v. 40). Jesus continua a dizer a Seus homens que, mesmo que alguém tenha dado apenas um copo de água em nome do Senhor, essa pessoa certamente será recompensada por seus serviços (v. 41). Ninguém precisa estar sob uma hierarquia humana para estar trabalhando no Reino de Deus.

Há várias lições aqui para a igreja moderna, se estivermos dispostos a recebê-las. Muitas vezes, somos como os discípulos do Senhor. Se uma igreja, um ministério ou um indivíduo não faz tudo exatamente como nós fazemos, então somos rápidos em condená-los. Somos rápidos em julgá-los. Somos rápidos em nos lançar contra eles. Somos rápidos para tentar silenciá-los. Existem algumas verdades que esquecemos!

4.1 Nenhuma igreja, nenhum pregador e nenhum ministério tem um controle exclusivo da verdade – em outras palavras, Deus não deu o controle final sobre quem está e quem não está servindo ao Reino a nenhum ser humano. A verdade é que Ele é sempre muito maior do que nossa compreensão DEle! A única coisa que podemos fazer é avaliar se o Senhor está sendo glorificado ou não.

4.2 Quando se trata de tamanho das organizações – não considere como sucesso uma Igreja Grande, o volume pode não significar nada além de inchaço, não considere que alguém que não está sob a mesma “autoridade espiritual dada por uma igreja grande” não pode ter a mesma unção que você tem.

4.3 Deus usa pessoas diferentes que fazem as coisas de forma diferente do que nós. Precisamos ser cuidadosos para não julgarmos uma igreja, um ministério ou um pregador apenas porque são diferentes do que somos. Avaliemos apenas se estão baseados na Bíblia e dando todo louvor apenas a Jesus.

Eu posso achar que esta ou aquela igreja tem muita bagunça e barulheira. Eu posso achar que os padrões de vestimentas e cabelos em algumas igrejas seja exagerado. Eu posso preferir igrejas que usam músicas em ritmo de rock. Eu posso achar que algum culto é muito “frio” para meus padrões de culto. Eu posso achar muitas coisas. Mas, eu sou obrigado, por essa passagem, a me lembrar que mesmo se eu não gostar desta ou daquela coisa sobre uma igreja ou um ministério, se o amor de Jesus é notório e a pregação é exclusivamente de Seu Evangelho, então estas também são filiais da mesma empresa que nós! Nós estamos na mesma equipe, mesmo que eu não compartilhemos de seus métodos.

Resumidamente o que devemos entender é que os ministérios vão dar conta a Deus e não a nós. Nenhum ministério deve prestar contas a outro ministério terreno.

4.4 No final, cada igreja e cada ministério deve ser julgado pelo tipo de pessoas que ele produz - Se um ministério produz pessoas mundanas, e/ou que não se interessam pela Bíblia, e/ou orgulhosas, é do mundo, não importa o que eles digam. Já se um ministério produz pessoas remidas, que amam a Bíblia, tem sede de lê-la e que são pessoas humildes, esta é uma ferramenta que Deus está usando, não importa como nos sentimos sobre a metodologia deste ministério!

5. Conclusão:

Foto de Igrejinha-RS

Damos graças a Deus pelo nome de nossa cidade. Ser de Igrejinha é uma honra para cada um dos membros da Igreja Batista em Igrejinha. Este nome nos lembra que não devemos nos orgulhar em nada. Não devemos buscar sermos os maiores ou os melhores. Devemos sempre buscar a humildade e o reconhecimento de que Jesus é o único que pode ser glorificado em nossa Igreja e que não é pelo merecimento de nossa Igreja que algo acontece, mas sim pela graça imerecida que Jesus Cristo dá sobre nossas vidas.

Quem é o maior na Igreja Batista de Igrejinha? A maior pessoa na nossa igreja é a pessoa que serve aos outros desinteressadamente, sem pensar o que poderá receber em troca. A maior pessoa na nossa igreja é a pessoa que está disposta a tomar o último lugar para que outros possam ser os primeiros. Não queremos cargos e títulos apenas para aparecer, preferimos o trabalho humilde e anônimo para que somente Jesus seja exaltado aqui.

Se você também quer ser um pequeno, indigno e humilde servo de uma indigna e humilde igreja que foi remida pela graça de Jesus Cristo, se você hoje sentiu o desejo de parar com as ostentações e hierarquização dentre os homens e quer glorificar e se submeter exclusivamente a Jesus, esta é a hora! Venha adorar Àquele que é o único digno de nossa adoração!

Lucas 14:11 Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (3 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +4 (from 4 votes)

Desapareceu a Religião?

Por: Daniel Grubba
Publicado originalmente em: Soli Deo Gloria

James Frazer

De acordo com o que se previa décadas atrás, a religião já deveria estar extinta. Por mais de um século, grandes pensadores profetizaram o despertar de uma nova aurora, onde a ignorância de um período negro, dominado pelo primitivo pensamento religioso, sucumbiria diante de uma nova ordem social totalmente secular e profana. O antropólogo de Cambridge James Frazer (1854-1941) foi um desses “sonhadores” que apostaram no triunfo da ciência. Em sua grande obra de 1890 “O ramo de ouro”, o apóstolo do secularismo, previu a humanidade transpondo o estágio mítico-religioso para o científico.

Para espanto e desespero de muitos, isso não aconteceu. Nenhum movimento, por mais poderoso e influente que fosse, jamais conseguiu erradicar da essência humana o sentimento pelos deuses ou sua intrínseca busca pelo transcendente. Mas há que se reconhecer: hoje a religião já não diz muita coisa. Aos poucos ela foi lançada para fora das discussões públicas, confinou-se numa metafisica ultrapassada, satisfazendo-se solitariamente em sua torre de marfim, sobrecarregada de intermináveis especulações e apregoando uma transcendencia absolutamente desconectada (para não dizer inimiga) da imanência.

Rubem Alves no seu livro “O que é a religião?” responde aos prognosticadores do secularismo mostrando a insistência da religião enquanto desnuda seu estado decrépito no mundo de hoje. Ele responde assim a pergunta “Desapareceu a religião?”:

“De forma alguma. Ela permanece e frequentemente exibe uma vitalidade que se julgava extinta. Mas não se pode negar que ela já não pode frequentar aqueles lugares que um dia lhe pertenceram: foi expulsa dos centros do saber científico e das câmaras onde se tomam decisões que concretamente determinam nossas vidas [...] Não me consta, igualmente, que a sensibilidade moral dos profetas tenha sido aproveitada para o desenvolvimento de programas econômicos. E é altamente duvidoso que qualquer industrial, convencido de que a natureza é criação de Deus, e portanto sagrada, tenha perdido o sonho por causa dos males da poluição. Permanece a experiência religiosa, mas fora do mundo da ciência, das fábricas, das armas, do dinheiro, dos bancos, da propaganda, da venda, da compra, do lucro”.

Um certo tipo de cristianismo ajudou a afastar da sociedade a religião. A fim de não participar da “mesa dos demônios” criamos nossa subcultura evangélica, um rincão de segurança contra o presente século. Através do discurso e da linguagem dividimos o mundo em coisas seculares e sagradas, santas e profanas, e assim, reduzimos nosso espaço de atuação a dias, pessoas e lugares santificados. Por enquanto, estamos preocupados apenas com as coisas do andar de cima, do céu, ou como disse Dietrich Bonhoeffer o reino da graça. Não temos muita coisa para falar sobre outros assuntos que não o destino eterno das pessoas e a administração do mundo invisível.

O movimento para tentar sair deste quartinho de castigo em que nos encontramos foi tentar usar a via política. Assim, como crianças mimadas, choramos para o mundo nos ouvir de dentro das estruturas políticas. Ouçam! Vamos falar! E apresentamos geralmente dois discursos inflamados contra aborto e homosexualidade, nada mais. Esse ativismo político não deu certo e nem vai dar. O trabalho para tornar a fé relevante é de todos e não de alguns chamados para ser uma espécie de messias.

Concordo com o escritor, pastor e pós-modernista Brian Mclaren quando ele diz que embora a mensagem do Reino fosse pessoal, ela não era privativa. A mensagem cristã integral deve envolver toda a realidade e não somente uma faceta dela. Por isso, a verdadeira religião tem tudo a ver com as questões públicas de um modo geral. A verdade que Deus revelou abarca economia, ecologia, politica internacional, ajuda humanitaria, e é poderosa para trazer luz sobre as mais diversas questões e desafios de nossos dias.
Deixo uma provacação do pesquisador Dinesh D´Souza da Universidade de Stanford enquanto oro para que apareça uma geração que não seja do mundo conquanto esteja no mundo buscando sua redenção: “Em vez de se engajar no mundo secular, a maioria dos cristãos optou pela solução mais fácil, refugiando-se em uma espécie de subcultura cristã [...] vivem de acordo com o evangelho das duas verdades. Há a verdade religiosa, reservada para os domingos e dias de adoração, e há a verdade secular, que se aplica ao restante do tempo. Este estilo de vida é contrário ao que a bíblia ensina.
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +1 (from 1 vote)

David Wilkerson

O Pastor das Assembléias de Deus – em específico da Assembléia de Deus de Times Square – Nova Iorque – EUA –  e fundador do projeto Desafio Jovem (Teen Chalenge) que é reconhecidamente um dos maiores trabalhos de recuperação de vidas que estavam entregues as Drogas de todo o Mundo fala sobre um grande problema da Igreja Atual.

Assista ao vídeo de um desabafo deste grande líder que é o autor de: “A Cruz e o Punhal” e vários outros grandes livros.

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (2 votes cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +2 (from 2 votes)

Línguas e Cai-Cai

Primeiros Missionários Pentecostais no Brasil - Fundadores das Assembléias de Deus no Brasil

Já abordamos aqui algumas manifestações que nada tem a ver com o mover do Espírito Santo nos que aceitam a Jesus como Salvador e Senhor de suas vidas.

Já postamos um artigo de autoria de um membro da Assembléia de Deus ( Alisson Bruno ) que conta o impressionante relato do missionário Gunnar Vingren que foi o fundador das Assembléias de Deus no Brasil e ponto de partida de todo movimento Pentecostal Brasileiro – Veja o artigo em: Cair no Espírito – Verdades e Mentiras – que deixa bem claro a visão deste missionário sobre qual era a verdadeira origem do Cai-Cai dentro de igrejas.

1ºJoão 4:1 AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.

Devemos pois tomar cuidado com algumas manifestações que estamos aceitando como “normais” e até “glorificando-as” como sendo algo do Mover do Espírito Santo. Muitas destas manifestações podem estar levando os verdadeiros cristãos ao erro e as heresias.

Não duvido da existência da língua dos anjos. Certamente ela está bem delineada na Primeira carta de Paulo aos Coríntios (cap 12) no entanto, através deste mesmo capítulo o Apóstolo Paulo afirma que caso não haja interpretação que fiquemos quietos e caso haja, que dois ou no máximo três pessoas falem em línguas.

Isto não é recomendação de um pastor Batista, isto é uma recomendação do Apóstolo Paulo, autor de mais da metade dos livros do Novo Testamento, e faz parte daquele livro que seguimos chamado Bíblia (lembram deste livro?)

Cremos que a autoridade da Bíblia é suprema, incontestável e imutável. Por esta crença afirmamos que qualquer um que está indo contra estas recomendações deve tomar cuidado.

Da próxima vez que você ouvir línguas estranhas ou ver um cai-cai por ai, peça a Deus que te revele se aquilo veio realmente DELE ou foi obra da carne.

1ºJoão 4:6 Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro.

Veja os vídeos abaixo:

VN:F [1.9.3_1094]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
VN:F [1.9.3_1094]
Rating: +2 (from 2 votes)
Page 1 of 512345»

Porque Apologética Cristã?

Leia o que Paulo escreveu:


"...mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já dissemos a vocês, agora de novo também falamos. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema."
(Gálatas 1:7-9)

Por este motivo somos Mantenedores da Fé!

Inscreva-se no Mantenedor da Fé

Ajude a divulgar


Nº de Visitas

Arquivos por data

setembro 2010
S T Q Q S S D
« ago    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  

Arquivos por mês